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A Aliança terapêutica – colaboração e confiança para mudar a dor

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Aliança Terapêutica pode ser definida como as relações de suporte, colaboração e confiança que se estabelecem entre o profissional da Saúde e o paciente.  (1,2,3)

Parece algo muito óbvio, mas nem tanto...

Afinal, leva um certo tempo até cada parte se conhecer e acreditar um no outro..E, segundo uma série de estudos, essa confiança é um fator muito importante para o tratamento surtir melhores efeitos!

A aliança terapêutica tem suas bases na empatia e nas condições de transmissão do conhecimento da doença/tratamento. Isso vai valer para os dois lados, tanto para os médicos/terapeutas e para os pacientes. Imagine como é difícil explicar claramente o que estamos pensando, ou como é nossa rotina, ou como achamos que tratamento deva ser..Tudo isso naquele tempo da sessão.

Será que é só uma dor?

 

Sim,  nós sabemos que não vamos conseguir isso tão rápido, por isso adotamos algumas estratégias, como a duração da consulta um pouco mais demorada, por exemplo, ou fazermos a avaliação em equipe. Assim, aumentamos as chances de melhorar nossa comunicação, e de estabelecer essa confiança mútua. E, principalmente, tentamos mostrar para o corpo que aos poucos a situação vai voltar a ter mais controle.

Em um estudo experimental com pacientes portadores de dor crônica de coluna lombar baixa, os pesquisadores perceberam que ao estabelecerem uma aliança terapêutica mais forte com um grupo de pacientes, estes tiveram melhora na intensidade da dor, melhora na sensitividade muscular, aumento das funções, e aumento na satisfação  com tratamento.
Ou seja, as pessoas com as mesmas queixas de dor na coluna lombar, que não tiveram uma aliança terapêutica boa com os profissionais que estavam fazendo seu tratamento, não melhoraram ou tiveram uma diminuição baixa da queixa de dor quando comparadas com aquele grupo em que pacientes e profissionais da saúde colaboraram mais entre si durante o tratamento. (3)

Agora existem algumas noções que não podemos mais deixar passar, então se você possui uma dor persistente, precisa levar em conta as seguintes idéias: 

  • A dor está no seu cérebro.
    • É ele quem interpreta seu meio-ambiente e lhe afirma que a situação está ruim para sua sobrevivência, para sua vida ser feliz e saudável.
    • (Não, não é a cadeira do trabalho, nem o peso que carregou 03 anos atrás...Isso faz parte do meio-ambiente hostil que está lhe incomodando...Já parou para pensar que o seu amigo que senta ao lado no seu trabalho não reclama da cadeira, que é igual a sua? E a coluna dele também têm os "bicos-de-papagaio", ou é "torta" como a de tantas outras pessoas espalhadas por aí..),

 

  • Você está preparado para adotar mais cuidados com sua Saúde? 
    • Corrigir a forma de tomar os medicamentos, e praticar exercícios específicos para melhorar a qualidade dos tecidos envolvidos nas queixas de dor, evoluindo até uma atividade física aeróbica - aquela atividade que te deixe suado(a) e cansado.  
  • Você está preparado para dar tempo do seu corpo se recuperar?
    • Existe uma informação que não está escrito em nenhuma bula de remédios, nem são números tão fáceis de seguir como nas balanças de peso das farmácias - é "o tempo de repouso".
    • Quanto tempo você precisa fazer o que a equipe de Saúde lhe prescreveu nas consultas para seu corpo não se sentir mais ameaçado? Lembre-se, a dor é um sinal de que alguma coisa está errada no seu dia-dia. Quanto tempo você vai precisar para aprender a mudar suas atividades, para seu corpo se sentir seguro e confiante novamente?

 

Claro que existem doenças e desordens (artrites reumatóide, lúpus, diabetes, autismo, esquizofrenia, entre tantas outras) que não seguem uma linha tão simples de orientação, mas acredite, grande parte do tratamento de uma dor forte está na compreensão do que o profissional da saúde está tentando lhe mostrar. E claro, o paciente também conseguir explicar com calma quais são suas queixas e seus objetivos de vida.

Seja uma cirurgia recente ou de uma dor antiga de coluna - aceitar que precisa de ajuda é o primeiro passo para mudar a estória de sua dor!  Portanto, confie em si mesmo, mas se permita confiar no profissional e converse com calma com ele, para que essa ajuda traga uma mudança positiva em sua vida.

 

Referências Bibliográficas

Joyce, A. S., Ogrodniczuk, J. S., Piper, W. E., & McCallum, M. (2003). The alliance as mediator of expectancy effects in short-term individual therapy. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 71(4), 672-679. http://dx.doi.org/10.1037/0022-006X.71.4.672

Main CJ, Buchbinder R, Porcheret M, Foster N. Addressing patient beliefs and expectations in the consultation. Best Pract Res Clin Rheumatol . doi:2010;24:219–225.

Jorge Fuentes, Susan Armijo-Olivo, Martha Funabashi, Maxi Miciak, Bruce Dick, Sharon Warren, Saifee Rashiq, David J. Magee, Douglas P. Gross; Enhanced Therapeutic Alliance Modulates Pain Intensity and Muscle Pain Sensitivity in Patients With Chronic Low Back Pain: An Experimental Controlled Study, Physical Therapy, Volume 94, Issue 4, 1 April 2014, Pages 477–489, https://doi.org/10.2522/ptj.20130118

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